Terça-feira, 7 de setembro de 2010
 
 
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MARIA DE BARRO NO VII CONGRESSO BRASILEIRO DE SISTEMAS AGROFLORESTAIS

O VII Congresso de Brasileiro de Sistemas Agroflorestais - VII CBSAF, promovido pela Sociedade Brasileira de Sistemas Agroflorestais e realizado pela ONG Mutirão Florestal, Emater DF e Embrapa, aconteceu de 22 a 26 de junho no Centro de Treinamento Educacional - CTE da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria em Luziânia, município próximo de Brasília – DF. O Congresso teve como tema: “Diálogo e Integração de Saberes em Sistemas Agroflorestais para Sociedades Sustentáveis”, no evento, sistemas agroflorestais foram abordados na perspectiva da construção de sociedades sustentáveis, possibilitando o diálogo entre o conhecimento científico, acadêmico, e o conhecimento tradicional, não acadêmico, entre experiências desenvolvidas no âmbito empresarial e da agricultura familiar, nos centros de pesquisa e unidades de produção, universidades, ONGs, escolas agrotécnicas e empresas de assistência técnica e extensão rural.
As discussões e propostas surgidas durante o VII CBSAF serão apresentadas a gestores públicos para auxiliar na formulação de políticas para o desenvolvimento dos sistemas agroflorestais - SAFs. Os participantes prepararam um diagrama com 13 propostas para os SAFs e aprovaram cinco moções de apoio, encaminhadas à Sociedade Brasileira de Sistemas Agroflorestais. “O congresso terá uma série de desdobramentos”, salientou o pesquisador José Felipe Ribeiro, presidente do VII CBSAF, durante a solenidade de encerramento.
Dentro da programação de painéis, conferências, oficinas e círculos de experiências o Maria de Barro deu sua contribuição através da participação no painel 9 “Recuperação ambiental com SAFs” do coordenador do Projeto engenheiro Vinicius Martins Ferreira juntamente com o Dr. Eduardo Francia C. Campelo, diretor geral da Embrapa Agrobiologia situada em Soropédia – RJ: “Foi emocionante chegar aqui e ver os frutos concretos da ONG Mutirão Agroflorestal, participando da realização desse importantíssimo congresso que inova ao aproximar a academia científica dos agricultores e saberes tradicionais. As sementes na vontade de buscar uma solução para as voçorocas foram plantadas nos mutirões agroflorestais que participei de 1998 a 2000. A coragem para entrar numa área degradada, enfrentando a questão de frente nas suas complexidades e relações com as sociedades, abrindo “picada no caminhar” nasceu nos mutirões agroflorestais. Fazíamos encontros itinerantes que implantávamos sistemas agroflorestais complexos, tentando potencializar a sucessão ecológica de uma área utilizando uma diversidade de mais de cem espécies, seguindo os modelos de Ernest Gostch, e ao mesmo tempo em que nos aperfeiçoávamos como seres integrantes do próprio sistema agroflorestal. No painel debatemos a questão de transformar áreas degradadas em quintais agroflorestais produtivos e viáveis para a produção de alimentos para as famílias que habitam no entorno, conciliando recuperação ambiental com produção familiar.
As questões de implantação de política públicas para recuperação de áreas degradada também foi tema central do painel. O Engenheiro Florestal Luiz Carlos Sérvulo de Aquino do Programa Nacional de Florestas do Ministério do Meio Ambiente – MMA trouxe a notícia de que já existe um esboço de um plano nacional de recuperação de áreas degradadas, mas o mesmo encontra-se arquivado e o CBSAF é uma boa oportunidade para resgatá-lo.
No painel também foi colocado que a Embrapa está coordenando uma rede de recuperação de áreas degradadas e que a Rede Voçorocas poderá constituir em uma de suas ferramentas.
Cerca de cem profissionais distribuídos entre pesquisadores, professores, técnicos de empresas públicas, privadas e terceiro setor, agricultores e universitários participaram do debate e colocaram propostas para implantação de políticas pública e demandas para atuação em algumas áreas frágeis do país. O painel ainda contou com a presença do ilustre agricultor suíço erradicado no sul da Bahia há mais de 20 anos, Ernest Gostch, pioneiro em sistemas agroflorestais por regeneração análoga à sucessão ecológica, um dos homenageados do congresso, participou do debate e sugeriu algumas técnicas de intervenção.” disse Vinicius. Após o encerramento das apresentações parte dos 556 congressistas participaram das visitas técnicas a sistemas agroflorestais, foram visitados os sítios Gerânio, Alegria, Frutos da Terra, Santa Felicidade, Semente e a vitrine tecnológica da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa.
Para Fabiana Mongeli Peneireiro da ONG Mutirão Agroflorestal e membro da equipe de coordenação geral do congresso, a discussão sobre SAFs acontece em “momento oportuno” por ser um modelo capaz de recuperar áreas de baixa produtividade agrícola e possibilitar produção diversificada tanto para o consumo interno quanto para exportação. Os organizadores destacam que o evento alcançou os objetivos de troca de saberes com o diálogo entre educadores, estudantes, gestores públicos, produtores e cientistas.
Os estudantes presentes elogiaram a metodologia participativa do congresso e aprovaram a participação dos produtores nos debates. Para Melina Goulart, estudante de engenheira florestal da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, a troca de conhecimento entre agricultores e a academia foi o ponto mais positivo do congresso. A estudante carioca destaca que a necessidade de investir mais em extensão rural foi um tema recorrente nas discussões. “É preciso ampliar os agentes multiplicadores para expandir os SAFs”, comenta.
Em clima de despedida, dezenas de agricultores, pesquisadores, estudantes e técnicos, participantes do congresso se reuniram na última atividade coletiva para refletir sobre a importância e o significado do evento para cada um. Durante o Círculo de Integração, o que se ouviu foram depoimentos emocionados e declarações de compromisso em defesa dos sistemas agroflorestais no mundo. Para o pesquisador da Embrapa Tabuleiros Costeiros - Aracaju –SE, Edmar Siqueira, a contribuição do evento certamente vai fazer a diferença no que diz respeito ao direcionamento e elaboração de políticas públicas para o setor. “Os resultados foram significativos e refletem a realidade de quem trabalha com SAFs hoje”, comentou.
No grande encontro de gente que sabia com gente que não sabia tanto sobre sistemas agroflorestais, o que não faltou mesmo foi uma sequência de declarações de gratidão pela oportunidade de tantos encontros. “O que eu aprendi aqui durante esses dias passa longe do que se aprende na academia, é muito mais”, comentou o engenheiro florestal Iberê Marti, de Alta Floresta - MT. Filho de agricultor, elogiou a metodologia participativa do congresso, que permitiu, segundo ele, compartilhar muito mais conhecimento. “Nas conferências tradicionais, a gente só escuta, mas não tem muita chance para falar”, disse.
Mas, para o agricultor Pedro de Souza, do Vale do Ribeira - SP, o significado foi outro. “Sinto-me como soldado de uma luta na defesa dos SAFs. Vocês a partir de agora são a minha família e sou muito grato por isso”, afirmou, emocionado. “A música que tanto cantamos sobre gentileza, para mim representa ‘gente ilesa’ e vocês são gente ilesa, ou seja, gente do bem”.
Ao final do congresso, quatro moções foram apresentadas à plenária para aprovação e outra sugerida e aprovada. As moções são resultado dos quatro dias de debates entre os participantes. A primeira delas, submetida à votação referia-se à implantação imediata do Plano Nacional de Silvicultura com Espécies Nativas e Sistemas Agroflorestais - Pensaf. A segunda, sobre a criação da Rede de Sementes da Amazônia, considerada fundamental à valorização de espécies nativas da região.
Além disso, os participantes aprovaram a adesão e apoio ao movimento ambientalista e de agricultores familiares, do Ministério do Meio Ambiente e do Desenvolvimento Agrário, contra o desmonte da legislação ambiental brasileira, especialmente o Código Florestal. A quarta moção também aceita pela plenária pedia o encaminhamento de carta à ministra Dilma Roussef, da Casa Civil, pela suspensão do plantio e venda de milho transgênico.
Por último, o técnico Roberto Ruiz, do Instituto para o Desenvolvimento e para a Paz Amazônica, da região de San Martin, no Peru, sugeriu encaminhar ao Governo Peruano moção de apoio ao movimento indígena amazônico do Peru a favor da manutenção das terras indígenas. Todas as moções foram entregues ao presidente da Sociedade Brasileira de Sistemas Agroflorestais, Ivan Crespo.
Além das moções, foi elaborado um plano com treze propostas para o desenvolvimento dos SAFs, entre elas, a capacitação de técnicos, criar redes, fortalecer a extensão rural, aumentar rendimento dos SAFs e criar grupos de trabalho para propor legislação específica que ordene e facilite a implantação dos Sistemas Agroflorestais.
Um dos principais resultados do VII Congresso Brasileiro de Sistemas Agroflorestais foi a formação de uma rede virtual de comunicação http://agroflorestas.ning.com/ , aberta não só aos participantes como a outras pessoas interessadas em se manter atualizadas e colaborar com a troca de informações sobre SAFs. Em menos de 48 horas após a criação, a comunidade virtual já contava com 92 membros. Chamada Rede Agroflorestas, a ferramenta reúne vários encaminhamentos do evento, como propostas resultantes das oficinas, apresentações dos palestrantes das conferências e painéis. Por meio dela, também é possível criar grupos de discussão e estabelecer contatos.
O Centro Internacional de Pesquisa Agroflorestal - Icraf premiou os autores dos dois melhores trabalhos apresentados no Congresso Brasileiro de Sistemas Agroflorestais - CBSAF com duas passagens para o Nairóbi/Quênia, onde vai acontecer o II Congresso Mundial de Sistemas Agroflorestais, em outubro deste ano. Foram inscritos 320 trabalhos no evento, dos quais foram aprovados 226 para apresentação.
Em primeiro e segundo lugares estão os seguintes trabalhos: “Implantação de sistemas agroflorestais em área de preservação permanente pelos re-educandos do Instituto Penal Agrícola - IPA do município de São José do Rio Preto-SP”, de João Fernando Lima Benedetti e equipe; e “Enriquecimento de capoeiras na Amazônia Centra: desenvolvimento de oito espécies nativas sob diferentes condições de luminosidade” , de Ana Catarina Jakovac e equipe.
Caso nenhum dos autores não atendam os requisitos exigidos pelo edital, foram selecionados mais dois trabalhos na seguinte ordem: “Aspectos Socioambientais de um Saf de erva-mate com eucalipto e feijão para agricultura familiar”, de Alexandre França e equipe; e “Conhecimento local sobre pimentas em quintais florestais na Apa do Rio Curiaú, Macapá, Amapá, Brasil”, de Luciano Araújo Pereira e equipe.
Para ler outras notícias sobre o VII Congresso Brasileiro de Sistemas Agroflorestais acesse  www.embrapa.br/viicbsaf.
 

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